Fernanda Rabaglio

Área da Redação

 

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Um olhar Antropológico sobre a Contemporaneidade

2007! Chegamos ao segundo milênio.

Atingimos o auge do capitalismo com cerca de 95% do mundo adepto a este regime econômico. Estamos sentenciados a permanecer na eterna inconstância do consumismo ditado por uma minoria que “consome fábulas de unidades monetárias”. Eis a Contemporaneidade!

Excêntrico torna-se olhar para um passado nem tão distante, como datas de segunda Guerra Mundial, quando presenciamos a grande potência européia em pedregulhos. E mais incoerente ainda é entender que um continente inteiro permitiu-se ser dominado por um único país ainda tão jovem como a sede do consumismo: Estados unidos da América!

Mas nem sempre foi assim. Ao analisarmos o filme “Good Bye Lenin!”, encontramos uma civilização inteira baseada numa sociedade completamente anticonsumo. O filme ainda retrata os valores dos socialistas e a dificuldade encontrada em muitos em compreender e aceitar o novo
conceito social “imposto” a eles com a chegada de outdoors, marcas, variedades, estrangeirismos e concorrências. Simultaneamente, mostra a nova realidade jovem do país, com a surpresa da escolha de produtos e dos importados, a valorização dada pela sociedade e o desprezo espertado neles pelos produtos e pela vida levada até então.

O consumismo sobe a cabeça da população despreparada para absorver tudo o que o capitalismo poderia propiciar. O mundo quer ser “pop star”! Álbuns, fotos, modas, cabelos, marcas, estilos, descobertas exuberantes,... O povo “atrasado” do comunismo redescobre a modernidade, sonha com a felicidade materialista e o crescimento até o ápice de ser dono da voz crucial, surgi a hiper valorização de si .Eis nascimento o egocentrismo! E mesmo sem domínios do capitalismo e muitas vezes sem sequer saber como proceder com ele, o deslumbramento causou euforia e mesmos cegos, procuram guiar os demais.

Com a queda do muro de Berlin, em 1990, a Alemanha Oriental abre os olhos para o Capitalismo. Após tirar a venda de um povo massacrado pelo regime comunista e suas expressões, estes são “presenteados” com mil regalias que hoje os obrigam a correr atrás de uma tecnologia e desenvolvimento estacionado por quase meio século. O fantástico mundo capitalista, dotado de belezas, glamour e livre-arbítrio trouxe também diversos problemas como, há anos, trás ao restante do mundo. O que chamamos de escravidão da economia consumista. Eis que chega até eles uma real fonte de informação: a vivência! E com ela começam a entender como o mundo funciona e em compasso ele é regido. A vida transformada em um aglomerado de informações é desmorona sob as cabeças consumistas.

A Alemanha Oriental, bem como a China, entrou no sonhado mundo das negociações, disputas e vícios materialistas e hoje vive o encantador mundo – aos olhos observadores e leigos - de poucos viventes vencedores e muitos sobreviventes da economia. O mundo une-se a favor do ideal “Cada um por si”. A globalização, de forma dissimulada, contempla a individualidade. Vivemos a era da constante instabilidade emocional, cultural, econômica e social.

“...Tornamo-nos conscientes de que o pertencimento e a identidade não tem a solidez de uma rocha, não são garantidos para toda a vida, são bastante negociáveis e revogáveis...”. (Identidade, Zigmunt Bauman)

Com a intensificação do capitalismo no mundo, em especial em nações que vivem a submissão tecnológica e desenvolvimentista, nos vimos cada dia mais presos em solos instáveis e sem possibilidade de migração ou fuga desta realidade. Mas ainda pior, considero o pensamento de um solo descendente do comunismo ao ver-se amarrado e amordaçado pelo almejado plano de libertação. E talvez a dúvida do que seria pior aos pensamentos anticomunistas entre a repressão explicita e as ordens ditas claramente ou tudo isso impresso na população de forma mascarada e indireta às escondidas do nada, visto que a dominação é planetária e nada, além disso, importa.

Pode perguntar o leitor, diante de tais colocações, quais as certezas garantidas no “novo mundo”. Zigmunt Bauman, em Vidas Desperdiçadas, responde:

“...Nada no mundo se destina a permanecer, muito menos para sempre....Tudo nasce com a marca da morte iminente, tudo deixa a linha de produção com um “prazo de validade” afixado...”.

A industrialização do mundo, o fato de tudo ser embalado ou enlatado e ter impressos de garantia, onde tudo torna-se nada, e o conceito de singularidade transforma-se em relíquias,
fez o mundo conceituar o consumo como algo renovável com datas pré-estabelecidas. A idéia de que um móvel duraria 30 anos deixa de ter sentido e valor, pois após 2 anos da aquisição algo com design inovador é lançado no competitivo mercado industrial e a publicidade “conscientiza”
a população de que é hora de trocar aquilo que a partir de então torna-se “velho e arcaico” pela “menina dos olhos momentânea”: o novo móvel que, embora tenha as mesmas funções, aparenta ser muito melhor. Além de garantir status e integração social.

Acompanhamos, ao longa da história a industrialização humana, ao ponto de vista que os desejos, sonhos, anbições e objetivos traçados por qualquer cidadão mundial, passa a ser ditado por um pacote muito embalado nomeado MODISMO e STATUS e tais padrões encaminham o mundo a um rumo só, movimentando a economia, transformando tradicições, denegrindo culturas e banindo dos conhecimentos futuros o que não integra o novo ideal de vida imposto pelo capital moderno.

E como nada é permanente, o ideal de sociedade e comunidade também é renovável. Encontramos um significado singular para Comunidade. Lingüisticamente, temos comunidade como “sociedade civil ou religião; conjunto de indivíduos que vivem em comum” – Dicionário Melhoramentos-, mas a praticidade do termo leva-nos a entendê-la como nomenclatura dada à espaços regionais, o significado é aplicado apenas quanto à geografia, enquanto o sentido humano é abandonado gradativamente.

Mas sim! Ainda há vestígios de comunidade no seu sentido mais íntimo e verdadeiro. Porém, mais uma vez reformulado! Quando falamos em comunidade, sobretudo com um jovem, a primeiridade para ele são as habituais comunidades virtuais das quais ele participa, que são verdadeiras sociedades sem base cultural ou física como ICQ, Orkut, UOLKUt, MSN, Blogs e os mais recentes jogos interativos online, como Second Life que, de alguma forma, acabam criando suas culturas peculiares e bastante mutantes e revogáveis.

A única unidade que há no mundo é a internet. Estamos em sintonia pelo “http://www.qualquercoisa.deternidaexternção”, que nos possibilita participar de uma série de comunidades que nos privilegiam com a individualidade e o descompromisso com os outros participantes deste grupo, além da livre entrada e saída deste inclusive apresentando-se com personalidades bastante diversificada, criando personagens.

O Ideal de Lênin foi definitivamente abandonado! Somos regidos pela vontade incessante de comprar e de obter, a necessidade que sentimos de igualdade superar o próximo em termos econômicos. Deixamos de consumir por necessidade e sim passamos a comprar por vaidade. Descontamos tudo nos cartões de créditos e cheques: dores, nervosismos, decepções, desilusões, fracassos, ansiedades, alegrias, conquistas sucessos, vitórias! Encontramos motivos absurdos e injustificáveis para adquirir produtos superficiais que muitas vezes não terão uso algum, apenas o prazer de comprá-lo e contar ao círculo social ao qual estamos inseridos que temos o pertencimento de uma unidade daquilo que, certamente, está na moda!

Por: Fernanda Rabaglio


Bibliografia..................................
Filme: Adeus, Lenin!
Enunciados Fornecidos de Zigmunt
Bauman
Letras de Músicas políticas.