
Ah... As Novelas...
Minha mãe adorava! Quantas vezes escutei o mesmo comentário quando iniciava uma:
- Ah, eu não gostei dessa novela nova, viu! Acho que não vai ser boa, não!
E dali um mês continuava ela em frente à TV no horário daquela novela que ela dizia que achava que ia ser tão boa quanto à anterior...
E você? Assiste às novelas? Ou melhor: o que é uma novela para você, meu caro leitor?
Podemos pensar como pensava minha saudosa avó, Dona Maria!: São histórias que nos divertem, nos entretêm, fazem da hora do jantar, ou pós-jantar, algo mais relaxante, onde deixamos de pensar em nossos problemas e cotidiano e nos envolvemos na trama da TV. Identificamos-nos com certas personagens, abraçamos algumas causas, tentamos desvendar crimes...
Mas... Será que novelas são somente para isso? Existe algum valor cultural nelas? Qual a influência econômica que elas exercem sobre nós? E o mercado da Moda, como reage a elas?
Pensemos: Atualmente a rede Globo tem duas novelas com o mesmo cenário: cidade de São Paulo! Uma, novela das seis, que se passa em 1958, em bairros como Vila Mariana e Jardim Europa, é um romance de Alcides Nogueira, baseada na obra de Lygia Fagundes Telles. A outra, novela das oito, de João Emanuel Carneiro, se passa na tempo presente (2008), tem como tema o assasinato de um homem, e o dilema que se cria apartir disso, entre seus pais, esposa, filha e a amante.
Pois bem, podemos notar que as obras nor permitem traçar um linha de evolução da cidade de São Paulo no período de 50 anos em várias vertentes. Torna-se possível observar a arquitetura que, como em Ciranda de Pedra, novela das seis, torna-se cada vez mais raras em tempo comum ao nosso, e notar como a cidade mudou, como cresceu verticalmente. Notamos ainda os automóveis, o trânsito que certas personagens comentam na trama que não é um décimo do que encontramos atualmente ou logo a seguir, em A Favorita, novela das oito, além dos modelos e marcas que desfilam frente às câmeras e ainda sobra a indagação: Como eram mais charmosos, mais glamurosos, imponentes os, atualmente, chamados carros de época, não? Além da larga diferença de costumes, posturas, tradições, imposições,...
Ainda podemos pensar na Moda! Em Ciranda de Pedra temos Laura (interpretada por Ana Paula Arósio), casada e separada, mãe de três filhas, que sonha em abrir uma Maison de alta costura. Os modelos que vestem a personagem são de belíssimo gosto, chiquíssimos, como comentado, em cena, por Elzinha, amiga de uma das filhas da personagem, vivida por Leandra Leal. Com certeza, se naquelas épocas vivêssemos, ela lançaria moda nas ruas com seus penteados, echarpes, lenços.
Já em A Favorita temos Lara, vivida por Mariana Ximenes. Uma garota de uns 20 anos, neta dos Fontini, filha de Flora e criada por Donatella após a morte de Marcelo e a prisão de Flora. A moça possui um estilo próprio, cabelo curto, franja no rosto, amante de xadrez e listrados. No início da trama, poderia parecer um pouco antiquado, mas em poucas semanas já conferimos a quantidade e variedade de calças largas e xadrez disponíveis nas araras da grande maioria das lojas, dando uma guinada no 2º mercado que mais emprega no país, cerca de 1,5 milhões de pessoas. E mais, temos a certeza que hoje, a peça mais desejada será, em alguns poucos meses, a mais odiada e esquecida como aconteceu, por exemplo, com as flores usadas nas mechas loiras de Íris e a saia de Sabrina, ambas ex-BBB.
E em Números? Imagine essa equação:
Comerciais + Merchandising + vendas de CD de trilha sonora Nacional + Internacional + lucro da moda de vestuário + Moda de acessórios = Aquecimento + Crescimento da Economia Nacional ...
É... E ai? Para que servem as Novelas? Já pensou nisso?
Data: Julho/2008
Por: Fernanda Rabaglio