
Hipermídia
Analisando a palavra temos um substantivo formado por um advérbio e outro substantivo: hiper + mídia. Inda neste contexto, podemos extrair o significado central do termo: grande meio de comunicação, vasto canal de divulgação e fonte de conhecimento.
Mas, como há de se imaginar, hipermídia compreende um universo maior. E chegamos ao ponto: hipermídia é um universo a parte, o que chamamos de espaço ou mundo virtual.
Há dez anos o mundo possuia uma única interface, a física, concreta. Entretanto, o século XXI vem marcado pela evolução tecnológica que surge com a acessibilidade massificada à Internet e aos celulares.
Por volta do ano 2000 o contato da sociedade de classe D em diante à Internet foi galopante. O mundo descobriu o cyberespaço , suas vantagens, facilidades e agilidades, Hoje criou-se uma certa dependência desse meio, seja pela comunicação rápida, agilidade de soluções financeiras, comodidade para as compras ou meio publicitário.
Mas isto não é tudo! A hipermídia encanta também aos jovens e ao publico infantil, ou talvez o termo correto seja “principalmente” a eles. Tornou-se natural, crianças, por volta dos 10 anos de idade possuir e-mails, páginas em web sites de relacionamentos, blogs e contas de comunicação instantânea, além da maior preocupação dos pais: amigos virtuais. Nesta análise verificam-se dois lados deste universo subjetivo: hipermídia como meio facilitador e como meio perigoso.
Todavia, podemos ir além, sair da visão convencional e entrarmos na percepção do que temos. Neste novo cenário encontramos hipermídia não mais como meio de comunicação, mas como imagem e imagem no sentido temporal, totalmente independente dos atos já citados e da estética ditada pela moda.
Quando se fala em imagem-tempo avalia-se esta no estão temporal que ela está inserida. Ao mencionarmos o tempo fazendo referencia ao cyber-espaço, falamos aqui de tempo psíquico, tempo experimentado, tempo que o ser humano interfere agindo sobre ele. Afinal, apenas vemos, acompanhamos e interagimos com este mundo quando e se quisermos.
No mundo cyber tudo muda a cada segundo e por ação humana, ao contrário do mundo real que recebe fortemente a influência do tempo autônomo, extrínseco à ação humana. No espaço virtual tudo começa ao acessarmos o navegador, tudo se modifica com um click com um fim e um início simultâneo, e completamente escravo do ato humano, se extingue ao fechar do navegador.
A Hipermídia, analisada pelo ato de percepção visual é, talvez, a imagem-tempo mais psíquica da contemporaneidade, a mais submissa ao nosso desejo de percebê-la. E vai além, consegue mixar em si a imagem-estática, imagem-movimento e imagem-som em um só visual, e um híbrido harmoniosamente mutante que agrega tecnologia, movimento, funcionalidade e retórica.
Ao falar-se de mídia eletrônica, falamos então de design, ou web design. Portanto, discuti-se nestes termos o ato da criação conceitual que divide a retórica com o ato perceptivo. Design agrega valor, motivo de ser, estética, marketing, conceito e publicidade. E voltado ao mundo cyber é o detentor, (junto ao mundo da programação), da relação imagem-tempo psíquico virtual.
Data: Setembro/2008
Por: Fernanda Rabaglio