
Literatura Pessoal: o ato de escrever
Aprendemos desde o ensino básico a importância da leitura para a formação da fase adulta e do profissional que seremos no futuro. Lemos Monteiro Lobato, Ruth Rocha, livros da moda, até chegarmos aos clássicos de Camões, Machado de Assis, Clarisse Lispector, Shakespeare.
Quando profissionais formados e embriagados da sociedade mercadológica, lemos então apenas os clássicos e os livros específicos da área em que atuamos, além de jornais e revistas relevantes!É assim com quase todos!
E ao parar para pensar nisso, me questiono: Por que se fala tanto na necessidade de ler e tão pouco da importância e graciosidade de escrever?
Oras! Lemos tanto, sabemos tanto do que pensam, estudam, acham, conceituam e filosofam os grandes mestres da Literatura, Filosofia, Sociologia e todas as ciências, mas não permitimos sequer que nosso caderno pessoal, numa orelha de última página que fosse, saiba um pouquinho do nosso íntimo, dos nossos pensamentos e emoções.“Assim caminha a humanidade!” Porém, dessa forma, cada vez mais fria, mais impessoal, inquieta, angustiada, pois não se expressa, não se expõe!
Quando se tem problemas, angustias, sentimentos muito aflorados, alta sensibilidade, muitos procuram o psicólogo na esperança de este resolver todos os seus conflitos. E o que ele faz inicialmente? Faz-nos falar! Expressar-nos! Por para fora aquilo que nos atormenta, que briga conosco! Faz-nos pensar, refletir e organizar os fatos, emoções e pensamentos em ordem compatível com a compreensão do outro.
E então, questiono mais uma vez: o que é escrever se não, organizar um assunto relacionado com nossa experiência e vivência de forma a ser compreendido por quem se deparar com esse artigo? Escrever é terapia que acalma, tira a dor e o desconforto que se sente em dado momento.
Eu, por exemplo, sou “escrava” de minhas emoções e cada texto é minha carta de alforria do sentimento que me tortura até a criação de algo. É como se escrever fosse mais do que um singelo ato de criação, mas uma libertação de algo que precisa ser exposto ao mundo.
Digo sem sombra de dúvidas que meu melhor amigo é o lápis e uma folha de papel. Entre rascunhos e rabisco exponho idéias, crio soluções para problemas que muitas vezes não existem, mas fantasio e, a personagem da minha vida, coloco a prova de todas as experimentações possíveis, sem medo de errar ou cair, pois ali encontro minha Terapia e Literatura Pessoal, quando por vezes, linhas passadas passam a ser inspirações para as atuais.
E assim faço minha academia intelectual e psicológica, exercitando minha mente e potencial criativo enquanto extraiu pensamentos e emoções que, por vezes, me agoniam. E assim, pergunto ao meu leitor se não acha também eficiente este método?
Tente, experimente! Se dê a oportunidade de vivenciar mais esta experiência quando algo te desconfortar, mesmo que seja por alegria!
Data: fevereiro/2009
Por: Fernanda Rabaglio